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Tanquã, o pantanal paulista.

Quando se fala em fauna abundante e água logo vem a cabeça o Pantanal, que fica entre os estados do Mato Grosso do-Sul e Mato-Grosso, centro-oeste do Brasil.

Como fotógrafo de natureza sempre busco lugares ricos em fauna, e há alguns anos pude conhecer o Tanquã, uma vila localizada na área rural de Piracicaba-SP as margens do curto rio Piracicaba com seus 250km, que tem seu começo formado pela junção dos rios Atibaia e Jaguari na altura do município de Americana-SP e sua foz no rio Tiête, entre as cidades de Santa Maria da Serra-SP e Barra Bonita-SP, o nome rio Piracicaba vem to tupi que significa “onde o peixe para”.

Pequeno mas valente, o rio Piracicaba vem resistindo aos maus-tratos ao longo dos anos, mostra sua força com através de uma exuberante fauna e flora, além de suas paisagens que pode ser vista ao longo do seu percurso, inclusive na parte que corta a cidade de Piracicaba-SP.

Não é preciso ir longe para encontrar o que podemos chamar de Pantanal Paulista, na cidade de Piracicaba, mais precisamente na vila do Tanquã, o rio mostra porque atraí a atenção de tantos biólogos, ambientalista, visitantes e fotógrafos, a quantidade de espécies que podem ser vistas e fotografadas é enorme, e após alguns anos volto a esse pequeno paraíso, instruindo um grupo de 5 amigos/fotógrafos para registrar a riqueza da fauna local.

O dia começo logo cedo, as 6h manhã, ficamos apenas um dia navegando em duas “voadeiras”, como são conhecidos os pequenos barcos equipados com motor de polpa, e foi mais do que suficiente para realizar dezenas de fotografias de espécies da fauna e paisagens do local

Dividimos o grupo em dois barcos e partimos rio acima, sentido a um local conhecido como paredão vermelho, porém no meu barco a ordem era pra não ter pressa e sempre que avistássemos uma espécie da fauna a prioridade era fotografá-la,  logo na saída um  martim-pescador pousou pra foto.

Continuamos subindo o rio e  muitas espécies cruzando o nosso caminho o tempo todo, algumas simplesmente pousadas como se observassem o vai e vêm dos barcos.

Ainda bem próximo do nosso ponto de partida a primeira surpresa, um bando de taperuçu-de-coleira-branca alimentando-se em voo sobre o rio com seus rasantes, o tempo nublado, luz muito difusa e fraca dificultaram conseguir uma boa foto, então fica o registro já que é um “lifer” pra mim.

Continuamos rio acima, e mais uma surpresa, de certa forma “lifer” pra mim, pois a foto que eu tinha da espécie era bem ruim e feita à alguns anos no pantanal de Corumbá-MS, o belo anú-coroca. Avistei um indivíduo nem uma galhada na margem do rio e logo disse: anú-coroca, anú-coroca, anú-coroca! Tentamos uma aproximação lenta mas o bicho não deu mole e sumiu na vegetação da margem, tudo bem, tinha a volta ainda do paredão vermelho e possivelmente uma nova chance de fotografá-lo.

Algumas horas e chegamos ao paredão vermelho onde pudemos ver a parede que dá nome ao local, embora com o nível do rio alto o paredão não fique aparente, aproveitamos o local para um breve lanche, conversa fiada entre os barcos e começamos a descida.

Com a cena do anú-coroca na cabeça a minha atenção ficou voltada para as galhadas nas margens do rio, Mas continuamos subindo o rio. Na volta, vim atento ao local onde havia visto a espécie poucos minutos antes, e não deu outra, lá estava o coroca novamente, e foi aí que avistei um ninho na galhada e imaginei que fosse dele, logo o filhotão apareceu. Fica a foto do bicho lindo de viver… 

Continuamos rio abaixo, já passava das 14h e a fome estava apertando, sem falar do cansaço das costas por ficar sentado no barco.

Aproximando-se do nosso ponto de partida, cortando os pequenos canais em meio ao aguapé e ao capim, eis que avisto uma marreca-cricri, tentei a foto mas errei o foco, não houve uma segunda chance naquele momento. Paramos para o almoço com gostinho de quero mais.

Enquanto isso o pessoal do outro barco continuou rio abaixo até onde o rio ganha volume tornando-se “um marzão”. Algum tempo depois o pessoal do segundo barco estava de votla pro almoço com a foto de uma lontra que cruzava o rio.

Comida caseira, peixe frito e um pouco de conversa fiada, decide continuar a passarinhada pelo rio, porém descendo.

Chamei o piloteiro e lá fomos nós, mas antes uma passadinha no ponto onde eu havia visto a marreca-cricri, e novamente lá estava o casal, mais um “lifer” pra mim.

O tempo nublado começou a virar para chuva, mas mesmo assim resolvemos descer um trecho para tentar fotos dos tuiuiú e outras aves que haviam sido relatadas pela turma do outro barco.

A chuva começou a chegar com volume, então decidimos que era hora de volta, alguns pingos d’água na lente mas mesmo assim mais um “lifer”, um bando de garça-vaqueira.

Não só de aves foi o passeio, um filhote de ratão-do-banhado também resolveu posar pra foto, espécie bem comum no Tanquã.

Não havia mais tempo, a chuva começava a apertar e precisávamos voltar, estávamos a alguns minutos do ponto de partida e “chuva, banco , vento e rio” não são uma combinação legal.

No final um balanço produtivo com fotos de dezenas de espécies, entre elas:  andorinha-do-rio, andorinha-serradora, anú-coroca, asa-branca, bentevizinho-de-asa-ferrugínea, bigodinho, biguá, biguatinga, cabeça-seca, carão, chopim-do-brejo (dragão-do-brejo), curutié, frango-d’água (comum), frango-d’água-azul (imaturo), freirinha, garça-branca, garça-branca-pequena, garça-moura, garça-pequena-vaqueira, garibaldi, gavião-caboclo, gavião-carrapateiro, irêre, japacanim, lavadeira-de-cara-branca, marreca-cricri, martim-pescador-grande, martim-pescador-verde, noivinha-branca, pé-vermelho, ratão-do-banhado (filhote), savacu, socó-boi, socozinho, taperuçu-de-coleira-branca, tuiuiú além de alguns avistamentos sem fotos:  andorinha-de-bando, canário-da-terra, colhereiro, choca-barrada, quero-quero e sábia. No total mais de 50 espécies!

A marreca-toicinho, o marrecão, o gavião-do-banhado, as sanãs e tantas outras espécies vão ficar para a próxima passarinhada no Tanquã.

Galeria de fotos:

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Abraços e até a próxima.
Equipe EF.

 


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O Tanquã é um local muito rico em espécies da fauna, em especial aves. Com dezenas de espécies conhecidas, o lugar propicia ao visitante observar e fotografar dezenas de espécies de aves, mamíferos e com um pouco de sorte, répteis!

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