ECOFOTO | fotografia + natureza + birdwatching + expedições | ECO FOTO

Serra de Itaqueri: um tour por Ipeuna, Itirapina e São Pedro.

Olá pessoal, hoje trago para vocês uma dica (na verdade uma sugestão de rota muito legal) pra curtir um pouco de aventura  rodeado por belas paisagens, fauna e cachoeiras em uma região bem pouco explorada, embora próxima de algumas cidades turísticas e alguns pontos conhecidos.

Segunda-feira, véspera de feriado, o tempo um pouco nublado querendo derrubar água, recebo um telefonema animado:

“Tiagão, 11h eu e o Pacheco estamos passando pegar você, vamos pra…”

Eram os meus amigos e fotógrafos Mário Bucci e Bred Pacheco que nem me deram a opção de recusar o convite embora o tempo estivesse feio pra fotos de paisagens, argumento que usei no telefone sem efeito algum.

Lá vamos nós por volta das 12h 30 sentido Ipeuna-SP. Afinal, como diz o Bred, sair com o Mário mesmo que não renda boas fotos as risadas são garantidas!

Logo no embarque tive a notícia de que o nosso amigo Paulo Tellis e seu irmão Carlos Tellis também iriam, mas sairiam mais tarde. Porém, logo o amigo, fotógrafo, jipeiro, band(eiro) nos encontrou em Rio Claro-SP na companhia do seu irmão. Galera reunida, lá vamos nós em dois carros, uma caminhoneta do Mário apelidada gentilmente pelo mesmo de “Mamute” e o Paulo em sua Toyota Bandeirantes que o mesmo apelidou de “Band”.

Começando o tour!

Chegando em Ipeúna logo cortamos a cidade em busca da estrada de terra no pé de Serra de Itaqueri que nos dava duas opções: 1º subir a serra e andar por cima dos morros ou então a 2ª opção contornar a serra e andar na parte baixa acompanhando o rio conhecido como Passa-Cinco. Optamos por seguir viagem e decidir isso depois!

Logo no começo a primeira bela paisagem que nos fez parar e fotografar:

Essa árvore estava bem no pé de uma das pontas de pedra aparente da Serra de Itaqueri pra quem entra por Ipeuna.

Continuamos e nem 10 minutos depois avistei uma espécie de ave “lifer” pra mim e para os demais, um João-bobo (Nystalus chacuru) pousado em um mourão de cerca, o que rendeu novamente ótimos cliques embora nossos amigos Paulo e Carlos que estavam no jipe atrás não avistaram a ave e eu não tive como avisá-los porque faltou um kit de rádios talk-about para comunicação da turma.

Mais alguns minutos e avistamos um gavião Sovi que alçou vôo, rodeu os carros e logo sumiu no meio da vegetação. Não consegui fotografar mas talvez algum dos amigos o tenha feito. Não tem problema, fica como mais um incentivo pra voltar na região. Continuamos, e mais um gavião, desta vez um Carrapateiro que logo se escondeu. Definitivamente não era  o dia pra fotografar aves de rapina.

Continuamos pela estrada arenosa cortando as pequenas e grandes propriedades até chegar no ponto onde tinhamos que decidir: por cima da serra ou por baixo! Decidimos subir a serra pelas curvas sinuosas e estreitinhas até o topo onde o GPS do Paulo registrou 944 metros de altitude. Lá em cima mais supresas, porém agora com uma visão privilegiada da região toda, inclusive de algumas propriedades rurais como a da foto abaixo:

Ao fundo da propriedade nota-se o vale e outra serra.

Mais à frente um pequeno mirante que mereceu mais uma pausa para contemplarmos a beleza da região vista lá do alto.

Fiz uma foto com a “Band” só pra referência da altura enquanto o Paulo fazia suas fotos.

Em busca das cachoeiras.

Novamente pé na estrada e seguimos em frente, agora em busca das cachoeiras e diga-se de passagem para efeito de registro aqui no blog, guiados pelo nosso amigo Mário… Acredite se quiser, o Mário lembrou o caminho e logo lá estavamos na primeira cachoeira que ele nos apresentava sorridente, sempre com o alerta de tormar muito cuidado com as beiradas que estavam sofrendo com a erosão.

Fiz algumas fotos, mas o ângulo não me agradava, resolvi pular o estreito riacho e ir pro outro lado para ter uma vista melhor da cachoeira, aproveitando que estamos na época da seca e corria bem pouca água. Então fiz a foto abaixo:

Realmente uma cachoeira bem alta, com uns 50 metros ou mais, num local de fácil acesso para o turismo porém sem qualquer tipo de exploração sustentável, uma pena. Fotos realizadas, o nosso guia, digo, amigo Marião diz:

” – Vocês não viram nada! A outra que é grande, Vamos tentar chegar lá Pacheco…”

E lá vamos nós em busca da segunda cachoeira que não estava longe, mas com o corte do eucálipito e da cana-de-açucar dificulta devido as mudanças da paisagem. No começo nosso guia parecia estar perdido mas logo deu algumas referências que foram sendo confirmadas e pra nossa surpresa chegamos à segunda cachoeira, que realmente fez sentido a frase dita anteriormente pelo nosso guia.

Não estavamos à frente de uma cachoeira, mas sim de três: Duas podiam ser vistas e fotografadas, mas a terceira estava num local um pouco escondido o que não tirou o encanto da paisagem maravilhosa mas, pelo contrário,  a beleza do lugar roubou alguns bons minutos do nosso passeio pela região.

Observe uma queda no canto esquerdo e outra no canto direito superior, realmente lindo!

Sentamos eu e o Paulo nas pedras do leito próximo à queda e logo ouço o Paulo dizendo pro irmão dele:

“- Faz uma foto pegando a queda e o vale todo!”

Ficamos ali, simplesmente apreciando por alguns minutos a imensidão formada pelo vale logo à frente da queda d’água. Realmente, um local maravilhoso que merece ser visitado novamente.

Enquanto estavamos ali, um casal de Periquitão-Maracanã dava um verdadeiro show nas palmeiras que compunham a mata ao redor do vale.

Neste ponto a câmera do Paulo ficou sem carga na bateria, não sei se isso foi bom ou ruim, talvez tenha sido bom pois ele deixou de fotografar e passou a curtir a paisagem sem preocupar com fotos, abertura, iso e medição!

Infelizmente o tempo não para e tinhamos que conhecer a tal pedra do Facão onde o Marião já tinha feito algumas fotos. Rumo à pedra então, mas antes uma Seriema (Cariama cristata) no caminho:

A Seriema fez pose de perfil por alguns segundos, o sol brilhou  entre uma brecha nas núvens e gerou essa luz lateral maravilhosa, dá pra acreditar? Realmente um lugar maravilhoso repleto de espécies de aves e outros animais (que resolveram não mostrar a cara).

Panoramica do facão!

Enfim na pedra do Facão, local ímpar. O primeiro comentário que ouço ao chegar foi o o Paulo dizendo:

“- Nossa, isso aqui é lindo demais! Lembra a chapada Diamantina, mas lá é maior.”

Não vou escrever mais sobre essa pedra do Facão, vou postar logo a foto, panorâmica por sinal:

Já imaginou este cenário com o céu azul?

Realmente tenho que admitir, o Marião e o Bred nos levaram pra um tour maravilhoso, lindo e pertinho de casa, a menos de 1 hora talvez.

O dia acabando e ainda tínhamos que visitar e fotografar a tal árvore de garças. Saimos correndo pra ver o local de pouso e pernoite de dezenas de garças. Chegamos lá e um canário roubou a cena, posou por uns 10 minutos pra fotos sem se intimidar com a nossa aproximação a menos de 2 metros:

Na verdade eu acho que este canário está vivendo uma crise existencial e acreditava ser um grande gavião (brincadeira minha, óbvio!). No segundo plano desfocado nota-se um monte de “bolinhas” que são justamente as garças. Prometo que volto lá e faço uma foto das garças.

Fim de tarde, tinhamos que retornar. Descemos a serrinha de São Pedro pensando em parar no mirante pra fazer algumas fotos do pôr do sol, porém seguimos em frente pois já estavamos sem água e com um pouco de fome, seguimos até um açougue no centro de São Pedro onde o Bred e o Mário já tinham parado pra comer espetinho em outra passagem pelo local, diga-se de passagem R$1,00 cada espetinho e eram bem gostosos.

Quando paramos e começamos a comer, o horizonte ficou vermelho como fogo mesclado com a núvens, o por do sol que supostamente não seria visível parecia estar clamando por fotos mas infelizmente já não era mais possível. Fica a lição do Amyr Klink…

O desfeixo.

Resumo, dizendo que foi uma experiência diferente: combinamos minutos antes, saimos em cima da hora, conhecemos o Carlos que é irmão do Paulo e estava de passagem por Limeira, percorremos mais de 50Km pela Serra de Itaqueri passando por Ipeuna, Itirapina e São Pedro, ínumeras paradas pra fotografar, horas e horas circulando pela serra e principalmente  nos divertimos muito com fotos, risadas e belas paisagens!

Pra finalizar vou deixar o link para o FLICKR com as fotos dos amigos que participaram deste pequeno tour, não deixe de visitar:

– Bred Pacheco
– Carlos Tellis
– Mário Bucci

– Paulo Tellis

Deixo também um print-screen do mapeamento de algumas das minhas fotos que fiz com o GPS acoplado à câmera e vou tentar ver se o Paulo pode fornecer o arquivo “Router” traçado e armazendo no GPS dele para download aqui.

Abraços e até a próxima.

Tiago R.
Fotógrafo

Sair da versão mobile