BACKUP – Proteja os seus arquivos.

A tecnologia é realmente maravilhosa, as câmeras digitais facilitaram absurdamente a produção de conteúdo, tanto na fotografia quanto na criação de vídeos, mas associado a esse crescimento exponencial, veio um enorme volume de arquivos que precisa ser guardado em segurança, e talvez gerenciar esses dados não seja uma tarefa muito tão simples para todos os fotógrafos e filmakers.

Pensando nisso, solicitamos ao fotógrafo do portal EF, Tiago D., que fizesse uma publicação sobre como gerenciar arquivos e pastas em meio ao volume crescente de conteúdo. Confira algumas dicas!

Quanto valem seus arquivos?

Uma pegunta bem simples: quanto valem seus arquivos (o seu trabalho), seja ele autoral ou comercial? Toda fotografia (vou usar o termo fotografia de forma geral para foto, vídeo e afins) custa dinheiro. Para fazer uma fotografia é preciso ter equipamento e investir em estudos, depois você precisa ir até o local onde irá fazer a foto, seja de uma pessoa, uma paisagem, um produto ou um evento, tanto faz se é lazer ou trabalho, pois isso tem custos. Até mesmo em uma viagem de família ou com amigos, se você resolver fotografar terá custos, não só monetário mas também de “tempo” dedicado, afinal era uma viagem de lazer.

Sunset ©TD. Essa fotografia custou 25KM de carro, 2h 30 aproximadamente de tempo que poderiam ser usados para outra atividade, todo investimento em estudos e conhecimento, sem falar dos equipamentos.

Pensando em tudo isso, eu como fotógrafo profissional acredito que os arquivos produzidos mereçam atenção e cuidado para que se tornem permanentes e longínquos, e não desapareçam por falta de cuidado e/ou falhas de hardware (equipamentos), pois cada fotografia é única, seja de um produto, evento ou simplesmente fotos de família, todo cuidado é pouco para preservar seus arquivos, especialmente se estivermos falando de trabalhos comerciais.

Analógico e digital.

Nos tempos da fotografia analógica, era mais fácil manter um acervo pessoal “seguro” pelo simples fato de quase sempre termos duas cópias de uma fotografia, uma revelada em papel e outra no negativo, talvez muitos leitores não saberão o que é fotografia analógica nem mesmo negativo, mas o fato é que se a foto revelada fosse perdida, doada, amassada, comida pelo animal de estimação, bastava levar a tira de negativos até o laboratório e pedir uma nova cópia, ou se por algum motivo o negativo fosse perdido, bastava levar a fotografia para ser digitalizada e revelada ou impressa. Resumo, sempre tínhamos duas cópias!

Paraniapacada © TD (2012). Fotografia realizada com filme 35mm positivo (cromo). Optei por essa imagem para mostrar características de parte da imagem que sofreu algum erro durante o processo. Fotografia analógica só dá pra ver o resultado ao final do processo.

Atualmente não temos mais a segurança da duplicidade da era analógica, isso acontece basicamente por dois fatores principais:

  • primeiro que não existe mais o tal negativo em tiras (materializado), pois os arquivos se tornaram digitais;
  • segundo que o hábito de revelar fotografias em papel diminui drasticamente com os arquivos digitais, e piorou ainda mais com o uso dos smartphones, ou seja, as fotos permanecem na grande maioria dos casos latente no formato digital;

Resumo, hoje temos apenas uma única cópia latente (não materializada), suscetível a erros humanos e falhas de equipamentos, e isso significa o seguinte:

Quem tem um, não tem nenhum!
Quem tem dois, tem um!
Que tem três, tem dois…
Então, faça cópia de segurança (backup)!

Backup dos arquivos.

Backup é uma palavra em inglês que significa cópia de segurança, isso já bastaria para resumir essa publicação a todos que pretendem manter seus arquivos seguros e longínquos, mas aí vem a famosa pergunta:

Fotografia de 2006, mantida em servidores NAS (RAID1). Créditos Tiago Degaspari.

Que tipo de backup devo fazer?

Existem infintas possibilidades e soluções no mercado para realizar a cópia de segurança dos seus arquivos, dos hardwares (equipamentos) mais sofisticados aos mais simples, soluções profissionais e domésticas (a velha “gambiarra”), incluindo a nuvem (internet), além de uma infinidade de softwares para ajudar na árdua tarefa de manter tudo atualizado, pois nada adianta uma cópia de segurança defasada!

Sistemas de backups

Aqui preparamos uma lista com diversas opções de equipamentos para serem utilizados para realização dos seus backups, inclusive podendo mesclar o uso de equipamentos para aumentar a segurança.

NAS – Network Storange Acess: constitui-se basicamente em um hardware composto por baias onde podem ser instaladas HD’s de diversas capacidades. Equipamentos com duas ou mais baias oferecem a opção de RAID1, um tipo de cópia efetuada pelo hardware, ou seja, espelhamento de arquivos acontece automaticamente. O NAS, como próprio nome já sugere, fica conectado ao seu roteador o que dá versatilidade no acesso aos arquivos de qualquer computador da rede. Não é uma solução extremamente veloz, mas é muito segura se usada com a opção de RAID1, 5 ou 10 são os mais seguros e usados.

HD secundário (interno): possuir um segundo disco (HD) no computador mantendo cópia fiel do primeiro é uma boa estratégia além de ser relativamente barato, o problemas é que o volume de arquivos tende a aumentar significativamente e este sistema se torna limitado. Pode-se adicionar 2 discos secundários em duplicidade, alguns computadores oferecem RAID1 diretamente via hardware e pode ajudar contra falhas de equipamento. Os HD’s podem ser tipo tradicional Hard Disk, ou então no novo padrão SSD que oferece performance (muito) superior.

HD externo (USB/Tunderbolt): pode ser uma opção desde que utilize dois HD’s externos com a mesma capacidade e mantendo os arquivos sincronizados em ambos, isso porquê, manter os arquivos no computador e em um HD externoé muito arriscado além de limitado. HD’s externos são muito suscetíveis a erros/panes de hardware. Então se essa for a sua opção, opte por duas unidades.

Mídia CD/DVD: se tornaram inviáveis pela pouca capacidade e baixa durabilidade, cerca de 5 a 10 anos. Mesmo mídias de Blu-Ray são inviáveis pelo custo e ainda assim baixa capacidade, máximo 50GB.

Pen Drive: extremamente arriscado e limitado na capacidade. Essa é uma das piores opções. É comum parar de funcionar repentinamente.

Nuvem (internet): extremamente caro, bem mais lento que sistemas locais e menos seguro. Talvez num futuro não muito distante, se torne uma opção atraente, segura e viável economicamente. A grande vantagem deste método é a disponibilidade dos arquivos em qualquer lugar que você estiver com acesso a internet.

Existem outras opções no mercado, como por exemplo backup na rede (em outro computador), utilizando fitas magnéticas de grande capacidade, servidores dedicados, até mesmo FTP para upload em serviços web entre outros tipos de soluções, contudo esses métodos ao meu ver são um pouco mais limitados e complicados para as necessidades de um fotógrafo.

Fotografia de arquitetura (publicidade). Arquivo de 2008, mantido em NAS (RAID1). ©TD.

Algumas dicas importantes sobre unidades de backup (HD’s internos e externos, discos e/ou outras mídias) onde são feitas as cópias de segurança:

A unidade de backup (HD, NAS, HD externo, etc) não devem permanecer conectadas/ligadas ao computador em tempo integral, ou seja, só ligue quando for utilizar! Ficar ligado o tempo todo gera desgaste físicos no hardware e expõe seus arquivos a vírus, erros, falhas humanas, quedas de energia, etc, etc, etc.

Na verdade, o tempo todo unidades de backup ficam desligados e guardados de forma segura e só são conectados quando pretende-se atualizar ou então recuperar algum arquivo.

Os arquivos de uso diário, trabalhos em andamento e até uma cópia do backup, pode e deve ficar no próprio computador disponível em tempo integral (…)

Também é muito importante que as duas cópias não fiquem no mesmo local afim de evitar algum tipo de sinistro, como por exemplo um furto de equipamentos ou uma pane elétrica que possa danificar os equipamentos. Opte sempre em ter uma cópia em outro local, seguro e distante. Nesse quesito as unidades de HD’s externas e o serviço de Nuvem ganham uma certa vantagem.

Lembre-se! A regra é clara… Sempre possuir todos os arquivos em 2 locais (ou mais). Quanto mais cópias, mais segurança.

Enfim, são muitas as opções de equipamentos, e vale salientar que o importante é montar um esquema em que os arquivos fiquem sempre em dois ou três locais diferentes (cópias atualizadas).

A parte mais complicada é manter tudo “igualmente” atualizado, papel para os softwares de backup ou sincronização.

Atualização dos backups

Podemos seguir por dois caminhos aqui, softwares de backup, ou então, aplicativos para sincronismo de arquivos, que na prática, oferem quase o mesmo resultado.

Para backups mais elaborados e completos, recomendamos o software Comodo Backup, muito completo, oferece inúmeras opções de backup, desde cópia simples dos arquivos até cópia incremental ou complementar com base em um banco de dados que o programa gera.
Visite: http://backup.comodo.com/

Comodo Backup versão 4.x

Ou então se preferir, um software mais simples e leve como o Allway Sync que faz a sincronização dos arquivos e pastas entre duas unidades diferentes (HD’s, HD externo, NAS, Pendrive, FTP, etc), permitindo fazer a sincronização em mão dupla, ou apenas em um sentido.
Visite: https://allwaysync.com/

Tela de sincronização de arquivos do AllWay Sync. ©EcoFoto
Allway Sync versão 20.x

Ambos oferecem ótimo resultado, e a dica é que cada leitor aqui do site possa escolher a melhor opção para o seu uso. A grande vantagem de utilizar o sincronizador Allway Sync, é a facilidade. Basta selecionar a origem dos dados e o destino que ele atualiza e ignora arquivos já existentes. Funciona extremamente bem para manter duas HD’s externas igualmente atualizadas.

Lançamento Fiat Stylo no Salão do Automóvel em SP. Créditos Tiago Degaspari.
Lançamento do Fiat Stylo no Salão do Automóvel de São Paulo. Arquivo de maio/2006, guardada em arquivo tipo NAS (RAID1). Créditos Tiago Degaspari

Jamais utilize o HD principal interno do computador para manter arquivos…

Sempre opte por unidades separadas para sistema operacional e arquivos. Essa atitude minimiza riscos por falhas no sistema operacional por exemplo, além de facilitar os backups já que os arquivos estarão todos em uma HD dedicada a eles.

Os pingos nos is.

Para fechar a publicação, a dica de ouro é: tenha sempre no minimo duas cópias atualizadas dos seus arquivos, seja em uma HD interna no computador e uma cópia fiel na HD externa, ou em duas HD’s externas ou em um NAS (configurado em RAID1). Tomando esse cuidado, certamente seus arquivos terão vida longa.

Ensaio fotográfico em Piracicaba da modelo mineira Helena. Arquivo mantido em servidores NAS (RAID1). Créditos Tiago Degaspari.

Ficou mais fácil agora manter o seu backup em dia?

Ah, e se você acha caro manter um sistema de cópia de segurança funcionando, experimente perder uma única foto…

Conte-nos quais são as suas formas de realizar cópias de segurança de seus arquivos, use o espaço de comentários.

Abraços e até breve.
Equipe EF.

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