Mirrorless: Sony, Canon, Nikon, Fuji e outras.

Muito se fala sobre as câmeras mirrorless, porém é preciso fazer uma análise profunda e imparcial sobre o sistema, marcas e modelos de câmeras disponíveis até o momento no mercado. Geralmente, novas tecnologias causam o “efeito manada”, onde todos rumam desesperadamente para a nova tecnologia diante da anterior. É preciso cautela. É preciso bom senso, e são justamente estes dois aspectos que pretendo abordar nesta publicação sobre o sistema.

Fotógrafo do portal EcoFoto, TD.
Imagem da internet.

O mercado fotográfico é realmente incrível, e se reinventa a cada lançamento, sempre pressionado por novas tecnologias, como por exemplo o desenvolvimento explosivo dos smartphones com câmeras cada vez mais sofisticadas, ideais para as fotos do dia a dia da maioria das pessoas.

Câmeras DSLR digital singular lens reflex por muitos anos foram as referências entre qualidade x portabilidade, porém esse título foi roubado pelas câmeras mirrorless câmeras sem espelho, que a principio acabam sendo menores, mais leves e silenciosas, mas não é só isso, nem bem isso!

O nascimento do sistema mirrorless.

Epson R-D1 (imagem da internet)

Ao contrário do senso comum dos fotógrafos, o sistema mirrorless existe desde 2004, quando a Epson lançou uma câmera sem espelho chamada de R-D1, seguida pela Leica em 2006 que colocou no mercado a M8. Daí em diante a tecnologia amadureceu rapidamente e novas marcas entraram no segmento. O sensor micro 4/3 que tem corte de 2x em relação ao formato 35mm (full-frame) foi o mais tradicional entre as câmeras sem espelho por muitos anos.

Em 2010 a Sony introduziu a linha NEX com sensores APS-C (crop de 1,5x), um marco no segmento, seguida pela Fuji que voltaria a vida à partir de então, com o lançamento de câmeras mirrorless no estilo retrô, equipadas com sensores APS-C.

A Panasonic e Olympus se tornaram referências em mirrorless de grande portabilidade, adotando os sensores micro 4/3 (crop de 2x) como padrão, mais tarde a Panasonic mirou o mercado profissional e lançou modelos com sensores 35mm (full-frame).

Em 2012 a Sony salta na frente e lança a primeira mirroless full-frame, e desse momento em diante a tecnologia passa a ganhar novas opções rapidamente, inclusive com a Fuji lançando um sistema de médio formato.

Começa então a ser estabelecido o novo padrão/tendência do mercado: câmeras mirrorless!

O divisor de águas.

Por muitos anos Panasonic e Olympus reinaram quase que soberanamente no sistema mirrorless com sensores pequenos micro 4/3, sempre focando em uma vasta linha de câmeras super compactas, mas com excelentes recursos e objetivas.

Foi com a entrada da Fuji e da gigante Sony que o jogo começou a mudar em 2012, oferecendo câmeras com recursos completos voltadas para o mercado amador e profissional, equipadas com sensores maiores, o que potencialmente culminava em fotografias de alta qualidade, assim como as fotos produzidas pelas DSLR’s até então.

Sony A

Imagem da internet.

Após a introdução da NEX, a Sony não perdeu tempo e logo colocou o foco no mercado profissional lançando a série A7 e A9, causando um frenesi no mercado fotográfico. Juntamente com a nova câmera a Sony lançou diversas objetivas voltadas para o sistema, inclusive focando modelos de câmeras para produção de vídeos, o que tornou o sistema ainda mais atraente (…), mas afinal, o que a série A teve de tão especial assim?

Bom, aí teremos que fazer uma pequena (e resumida) lista:

  • sistema mirrorless (corpo menor, mais leve, moderno)
  • sensor de imagem full-frame (35mm) nas câmeras Sony A
  • sistema de foco aprimorado com um modo hibrido direto no sensor
  • aclamado eye-AF (identifica o rosto/olhos e faz o foco)
  • IBIS – estabilização de imagem diretamente no sensor
  • opções de resolução de sensor variada conforme aplicação/uso
  • atualizações constantes nos modelos (corpo) com recursos aprimorados

A Sony parece mesmo estar conectada ao mercado e nas necessidades dos seus (futuros) clientes, e entendeu rapidamente que fotógrafos publicitários, fotógrafos de eventos sociais e filmakers possuem diferentes necessidades no equipamento, adequando a resolução do sensor de imagem para cada atividade, lançando uma linha completa de câmeras para segmentos diferentes. São elas:

Sony A7S II
Modelo com 12 megapixel, que inicialmente pode parecer pouco, mas é mais que o suficiente para filmakers que utilizam ISO altíssimo, gerando filmagens limpas. O foco esta na produção de vídeos.

Sony A7 III
Modelo intermediário que traz 24 megapixel, resolução ideal para a maioria das aplicações de um fotógrafo, inclusive podendo ser usada em filmagens, eventos sociais, fotografia externa. Ideal para o dia a dia.

• Sony A7R IV
Modelo com resolução de 61 megapixel, focada no mercado publicitário, de estúdio e aplicações em geral com utilização de ISO baixo.

→ Veja aqui as especificações de cada modelo Sony.

Obviamente, qualquer câmera pode ser usada para qualquer atividade/fim, contudo elas se encaixam melhor em uma aplicação especifica de acordo com a resolução nativa do sensor de imagem e outros recursos embarcados.

Com isso a Sony se posicionou de maneira extremamente estratégica, tomando rapidamente grande parte do mercado fotográfico profissional de suas principais concorrentes Canon e Nikon, embora marcas tradicionais, não possuíam câmeras mirrorless voltadas para o mercado profissional para enfrentar a Sony, evitando o migração de seus clientes e usuários.

Segue o lider…

Sony A9 (imagem da internet)

Sony esta na frente indiscutivelmente e ponto final.

Foi a marca que investiu pesado no desenvolvimento do sistema mirrorless para uso profissional e em equipamentos full-frame.

Implementou muitas tecnologias, inclusive algumas herdadas da antiga Minolta que foi comprada pela Sony quando a marca entrou no mercado de câmeras DSLR. Só para se ter uma idéia sobre o que a Minolta representou, em 1985 a marca desenvolveu a primeira câmera SLR auto-foco do mundo. Em 2003 novamente a extinta marca sai na frente e inova ao criar a primeira estabilização de imagem através do sensor (sensor-shift) para câmeras digitais.

A última grande cartada da Sony tem sido os sensores com centenas de pontos de foco, resoluções diferenciadas, aliados a recursos de processamento extremamente eficientes, como por exemplo o eye-AF, que traz opções inclusive para rastreio de foco nos olhos de animais!

Contudo a Nikon e Canon estão se mexendo e seguem se aproximando. Melhorias nas duas marcas concorrentes são visíveis a cada lançamento e atualização de firmware, vale lembrar que a Sony já esta na 3ª ou 4ª versão do corpo, enquanto a Canon e Nikon ainda estão na 1ª. Segue o jogo!

Canon

Canon EOS R (imagem da internet)

A Canon entrou na briga, de forma tímida e agora parece buscar se posicionar fortemente no mercado.

A primeira grande melhoria veio com o novo firmware – software interno da câmera – que agregou novos recursos e melhorou consideravelmente o funcionamento da câmera.

O destaque aqui fica para a adição do AF-Eye, ou seja, foco com prioridade na face ou olhos.

Além do novo software interno a Canon preparou uma linha de objetivas robustas para os seus usuários, oferecendo lentes de alta qualidade e grande variedade de distâncias focais. A marca conta também com um adaptador para uso de objetivas EF no novo sistema RF.

O ponto negativo da marca é a falta de estabilização de imagem no sensor da câmera, chamado de IBIS, o que obriga a utilização de objetivas com estabilização IS integrada. No modo de vídeo, um estabilizador digital de 5 eixos atua para anular pequenos movimentos, ainda assim, faz falta o IBIS.

A Canon assim como a Nikon oferece dois modelos de câmeras mirrorless, sendo elas:

• Canon RP
Modelo desenvolvido para aplicações em geral, inclusive vídeo produções, vem equipada com um sensor de 26 megapixel, e possui algumas limitações em termos de obturador, burst, etc…

• Canon R
Com resolução de 30 megapixel o modelo atende bem todos os segmentos da fotografia, inclusive fotografia social que é um grande mercado.

Falta uma câmera com um pouco mais de resolução, ambas estão muito próximas no que diz respeito a resolução nativa do sensor, diferenciando-se mais pelas especificações gerais como pontos de foco, disparo sequencial, velocidade máxima do obturador e etc.

Atualizando o tópico (13 de fev. de 2020)…

A Canon acabou de anunciar (13/02/2020) a mais nova integrante da linha mirrorless, a EOS R5 (veja aqui) . A câmera traz recursos impressionantes que colocam a Nikon e Sony contra a parede, certamente Sony deve lançar um modelo em breve para rivalizar com a Canon, já a Nikon é sentar e esperar.

O que a Canon EOS R5 traz de especial?

  • Sensor CMOS recém-projetado (provavelmente 40MP)
  • Estabilização de imagem na câmera – IBIS
  • Disparo contínuo a 20 qps (eletrônico) e 12 qps (mecânico)
  • Captura de vídeo 8K
  • Slots de cartão duplo

→ Veja aqui as especificações de cada modelo Canon.

Nikon

Nikon Z7 (imagem da internet)

Como de costume a marca é a última entre Canon e Sony a lançar seus modelos mirrorless, contudo lançou dois bons corpos, carregados com recursos importantes como por exemplo IBIS – sistema de estabilização de imagem no sensor.

Entre os destaques da marca estão a sua nova baioneta “Z-mount”, maior para permitir objetivas mais luminosas e o novo conjunto de objetivas, chamadas de Nikkor S. Aqui é necessário fazer um parenteses para dizer que as objetivas “S” estão sendo elogiadas por todos os grandes sites de reviews, destacando-se pela óptica bem refinada e foco preciso.

O ponto negativo da Nikon, especialmente o modelo Z6 é possuir um único slot de cartão tipo XQD, já o modelo Z7 conta com dois slots, XDQ e SDXC. O padrão XQD foi desenvolvido pela Sony para trabalhar em equipamentos de alta performance capazes de gravar vídeos com altíssima resolução, ultrapassando taxas de transferências de 400mb/s. Isso seria fantástico, se não fosse o alto custo e a limitação na “popularização” do formato. Apenas para se ter uma ideia, nem mesmo a Sony utiliza este tipo de cartão de memória em seus equipamentos, assustador isso!

Outro ponto negativo é o uso das objetiva baioneta F-mount (lentes DSLR) com o adaptador na Z6 e Z7, realmente o foco perde desempenho e deixa a desejar se comparado com o uso de objetiva Z-mount criado para o sistema mirrorless de câmeras da linha Z.

Por outro lado a Nikon tem mostrado um excelente trabalho através das atualizações do software interno, sendo a última atualização o firmware versão 2.20 que tornou o modelo totalmente compatível com os cartões de memória CFExpress, libertando a marca dos caros e limitados XQD. O CFExpress são encontrados com maior facilidade no mercado exterior, e embora alguns leitores digam que o valor seja parecido com o XQD a tecnologia é superior, as taxas de transferência de arquivos ultrapassam os 1.500mb/s no tipo “CFExpress B”, ou seja, mais de 3x o que o XQD oferece.

Atualizando o tópico (20 de fev. de 2020)…

A Nikon acaba de anunciar um novo firmware, a versão 3.00 para suas câmeras da linha Z, adicionando entre outras novidades, um consistente rastreio de face e olhos para animais (cães e gatos). Clique aqui e confira tudo o que o novo firmware trouxe de melhoria e novidade.

Diferente da Sony que segmentou o mercado em três tipos de câmeras, a Nikon oferece apenas dois modelos e são eles:

• Nikon Z6
Voltada para o mercado de filmakers e fotógrafos este modelo oferece 24 megapixel e filmagens em 4K utilizando todo o sensor. O desempenho em filmagens em ISO extremante alto deixa a desejar se comparado à Sony A7S que possui apenas 12 megapixel, justamente para conter o ruído gerado com mais megapixels. Estamos falando aqui de ISO extremamente alto, acima dos 12.800, porém muitas vezes necessário em filmagens.

• Nikon Z7
Modelo voltado especialmente para o mercado publicitário, equipada com sensor de altíssima resolução 45,7 megapixel, o que não impede o seu uso em outros segmentos da fotografia e até mesmo vídeo produções, contudo vale destacar que em formato 4K apenas parte do sensor é utilizado.

Nikon Z50
Modelo de entrada, com sensor APS-C de 20,9 megapixel e vídeo 4K. Embora seja um modelo com sensor “cropado”, oferece ótimos recursos.

→ Veja aqui as especificações de cada modelo Nikon.

O mundo micro quatro-terços.

Olympus OM-D5 III (imagem da internet)

O sistema micro 4/3 já nasceu mirrorless, e até pode parecer limitado frente aos lançamentos full-frame de grandes marcas, mas não se engane, tem muito “poder de fogo” escondido nos pequenos sensores que equipam essas câmeras, especialmente por se tratar de um segmento que vem se desenvolvendo há anos, oferecendo cada vez mais recursos, sem abrir mão da portabilidade e compatibilidade.

Nesse segmento micro 4/3, podemos citar duas marcas, sendo elas a Olympus e a Panasonic, marcas pouco presentes no Brasil, mas que são facilmente encontradas lá fora.

A particularidade desse sistema é exatamente a grande portabilidade sem abrir mão de recursos. Ambas as marcas oferecem opções de corpos de entrada, intermediários e de uso avançado, comumente chamados de “profissionais”. As objetivas podem ser compartilhadas entre as marcas sem a necessidade de adaptadores, o que torna a gama de modelos muito grande. Existem objetivas “kit” e também as “prime” super luminosas.

Carregando no bolso…

Abaixo, uma amostra de fotografias do fotógrafo do portal ECOFOTO durante sua viagem de férias, o equipamento usado foi uma Panasonic Lumix GX85 com objetiva do kit Lumix 12-32mm f3.5-5.6 (24-64mm equiv. full-frame), capturados em RAW e editadas no Photoshop para obter o melhor resultado possível…

… o mais incrível dessas fotos? A câmera ia no bolso da bermuda!

Pra quem não entendeu a piada acima é justamente sobre portabilidade…

Trocando em miúdos…

Obviamente que não existe comparação direta entre um sensor Micro 4/3 e um sensor full-frame, porém a reflexão que trago aqui nessa publicação é justamente o quanto podemos extrair de um sistema em termos de qualidade em relação a outro.

Se a pergunta for: Full-frame é melhor que Micro 4/3? A resposta vai ser: Claro que é melhor! É melhor sem dúvidas, contudo, o que temos que levar em conta é o real ganho entre um sistema e outro. Por que um é melhor ou mais eficiente que outro, essa é a pergunta!

Em nossa opinião, DSLR e mirrorless andam lado a lado, com algumas vantagens e desvantagens para ambos os sistemas em termos de recursos e resultado final, o que não faz um soberano sobre o outro, visto por essa óptica, o que mais nos atraí hoje dentro do sistema mirrorless é a portabilidade que o sistema é capaz de oferecer, porem isso tem um custo, e o custo é a alteração no formato do sensor de imagem. Não temos hoje uma mirrorless full muito menor que uma DSLR full, a diferença de tamanho e peso é menor do que se espera/imagina, isso vale também para as objetivas.  

Se o discurso para migrar para mirrorless for peso/tamanho, não vale à pena! Se for o uso de novas tecnologias e possibilidades, talvez seja interessante, porém, destaco que as DSLR tem aproveitado a tecnologia sem espelho para se desenvolver, à exemplo da mais nova DSLR Nikon D780 que traz dentro do seu “corpão” boa parte dos recursos da mirrorless Z6.

Fuja do efeito manada! Pondere suas reais necessidades.

Abraços e até a próxima.
Equipe EF.


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