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Dourado-SP, o paraíso das aves de cerrado!

Quando se fala em riqueza de fauna logo se imagina um local distante das grandes cidades e tranquilo. Dourado, no interior de São Paulo esta a aproximadamente 3 horas da capital, em uma região de fácil acesso e com uma fauna extraordinariamente rica!

Dourado fica próxima de Jaú, São Carlos e Brotas, exatamente no centro do estado de São Paulo as margens da rodovia SP-215.

Em sua fronteira esta o rio Jacaré-pepira, e segundo alguns moradores, o nome da cidade se deve ao fato deste trecho do rio ter sido muito famoso pela grande quantidade de dourados pescados. Atualmente o rio não sustenta mais a fama que deu nome a cidade, mas ainda esta entre os rios mais limpos do estado.

Hoje a cidade não atraí mais pescadores como antigamente, mas sim pessoas interessadas em  ecoturismo e natureza, entre elas muitos observadores e fotógrafos de aves.

Pois é, Dourado no interior de São Paulo é uma cidade que surpreende a todos que o visitam o local, mesmo para fotógrafos de natureza e observadores de aves experientes a cidade e o seu entorno tem muito à oferecer aos apaixonados por natureza.

Já ouviu falar em caburé-acanelado, e no narcejão, e na sanã-castanha?

Em abril o fotógrafo do portal EF, Tiago D. juntamente com o veterinário e observador de natureza J. M. da Costa estiveram na cidade para ver e fotografar algumas espécies e para maximizar a observação mantendo o foco na fotografia, o guia ornitológico e estudante de biologia Cal Martins foi contratado.

Logo após chegar na pousada aguardamos o entardecer para a iniciar a primeira corujada. O primeiro objetivo era a bela e rara caburé-acanelada, uma das menores corujas do Brasil, cuja a sua ocorrência é pontual em alguns locais. Minutos após chegar ao local de avistamento o nosso guia Cal encontra o bicho pousado a menos de 1 metro de altura.

Ela estava tão baixa e tão próxima que quase não ficou dentro do quadro da foto, objetiva fixa (sem zoom) tem dessas!

Como a era inicio de noite, continuamos a corujada e fomos até um ponto para ver a coruja-do-mato, eis que pousa em galho bem próximo da nossa cabeça:

Os objetivos continuavam sendo as aves noturnas, tínhamos duas possibilidades: murucututu-de-barriga-amarela, uma espécie de coruja ou um narcejão, uma ave noturna que habita brejos. Optamos em tentar ver o narcejão, já que a “murucututu” é uma coruja que ocorre em outros locais.  Durante o deslocamento do ponto da coruja para o brejo do narcejão, uma cena linda, uma enorme jaguatirica correu por alguns metros ao lado do carro. Cena rara!

Após algum tempo o nosso guia encontra o narcejão em meio ao capim alto. Tamanha a tranquilidade do bicho que o mesmo quase passou por cima dos pés do guia. Com a objetiva fixa eu utilizava, ficou impossível enquadrar a ave toda.

Resolvemos encerrar a corujada após as fotos do narcejão, e voltamos para a nossa pousada, pois o dia seguinte seria bem longo iniciando logo cedinho, com o sol nascendo. Preparamos o equipamento, recarregamos as baterias durante a noite e na manhã seguinte as 6h estávamos rumo aos pontos para fotografar as aves diurnas.

Começamos bem, segundo o Cal, um dos cantos mais belo do cerrado é o do pula-pula-de-sobrancelhas.  E eu e o João Marcelo também achamos. Uma ave inquieta, que faz jus ao nome de pula-pula, pois não para num galho quase nunca.

… e canta muito!

Partimos para o próximo ponto, para ver o fruxu-do-cerradão. Outra ave que fica sempre na matas, passeando pelos galhos mais altos, mas nesse dia ela resolver “descer” um pouquinho facilitando a foto.

Entre uma foto e outra do fruxu-do-cerradão,  conseguimos ver e fotografar o barbudo-rajado:

Saímos da mata em direção a Boa Esperança do Sul, cidade vizinha de Dourado-SP, no caminho da estrada de terra novamente o Cal nos alerta sobre um gaviãozinho pousado no fio. A luz pouco favorável não permitiu uma excelente foto, mas só o fato de ver esse pequeno mas feroz gavião de perto foi o suficiente!

Paramos também para ver o show de um casal de tesourinhas-do-brejo. Ave relativamente comum aqui no sudeste em alguns meses do ano, afinal nem só de “lifer” vive um fotógrafo de natureza.

Seguimos em frente, pois tínhamos muitas aves para ver. Mais uma parada para fotografar um bando de periquitos-rei, mas não era só…

… logo ao lado da árvore seca o Cal chamou o papa-formiga-vermelho, e não demorou 10 segundos para ele aparecer em meio a capoeira:

Muitas fotos até chegar em Boa Esperança do Sul e ver um casal de graveteiros, que ano após ano fazia o seu ninho no canto do telhado da rodoviária. Este ano teve que mudar de endereço, pois o local do ninho foi “tampando”, então eles resolveram fazer o seu ninho em frente a rodoviária em um poste de energia.

Ainda em frente a rodoviária, um grande brejo rodeado por capim revelou outra joia da cidade, um papa-capim-de-costa-cinza.

Era quase hora do almoço, mas antes de e retornarmos a Dourado, fizemos uma pausa em um grande brejo próximo ao rio Jacaré-pepira para ver e fotografar a andorinha-morena:

 

Enfim, após uma manhã longa e produtiva paramos para o almoço em um restaurante self-service excelente. Aproveitamos para descansar um pouco e espera o sol dar uma baixada para continuar a expedição fotográfica.

Seguimos sentido rio Jacaré-pepira e logo na entrada da mata ciliar fomos recebidos por um soldadinho que não deu mole… 1 clique e sumiu!

Já bem próximo as margens uma moradora que rotineiramente é confundida com beija-flor por muitas pessoas. Uma ariramba-de-cauda-ruiva.

Continuamos a trilha na beira do rio e logo o Cal nos mostra um barranqueiro-de-olho-branco:

Já em outro ponto do rio Jacaré-pepira, uma rendeira jovem. Confesso que fiquei na vontade de ter fotografado o adulto, que até apareceu mas não desceu pra ser documentado.

Procuramos o anambé, mas não estava no local que costuma ficar. Então partimos para ver a sanã-castanha. Mas antes uma fêmea do apareceu timidamente para a foto em meio a alguns galhos.

Sobre orientação do guia, eu e o J. Marcelo ficamos sentados no chão e imóveis, aguardando a sanã-castanha. Até aí nenhum problema, exceto os pernilongos e borrachudos que pareciam ignorar o nosso repelente minutos após tomarmos um banho de “proteção”.

Alguns minutos imóveis e que aparece é o tico-tico-de-bico-amarelo forrageando o chão da matinha. Gostei de ver esse bicho por ali.

Sai o tico-tico, chega a estrela do pedaço, a sanã-castanha. Logo um casa, só fotografei uma devido a minha posição e a limitação dos movimentos. Que ave linda…

Maravilhados com a sanã-parda seguimos novamente para o rio e lá pudemos encerrar o nosso dia observando um bandinho de cavalaria que atendeu prontamente os sons que o Cal produziu beijando a própria mão.

Felizes! Primeiro por que passamos uma noite e um dia todo em meio a natureza, vendo e fotografando animais incríveis.

Segundo por saber que ainda existem pequenos paraísos para a fauna e por último por ter a certeza que em breve voltaremos a Dourado-SP para ver  muitas outras espécies da lista da cidade que ultrapassa as 350 espécies de aves, com a possibilidade de fotos de mamíferos como lobo-guará, jaguatirica, saguis, lobinhos e até onça-parda, além de fotografia macro de répteis, anfíbios, borboletas e belas paisagens.

Abraços,
Equipe EF.

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