São Luis do Paraitinga: Reserva Guainumbi e serra do mar

Infelizmente a simpática cidade de São Luis do Paraitinga, localizada na serra do mar entre Taubaté e Ubatuba, ficou conhecida nacionalmente pelo desastre natural que devastou parte das suas construções no verão de 2010, e não por suas belezas naturais, arquiteônicas e importância histórica, que me fizeram juntamente com o meu amigo Marcelo B.  parar  e conhecer a pequena cidade durante a nossa ida para a Reserva Guainumbi. Logo na entrada fica o centro histórico, um lugar lindo formado pela praça central, igreja matriz e alguns casarões ao redor que estão parcialmente destruídos devido ao desastre natural ocorrido.

Eu sempre digo uma frase: “Prefiro fotografar coisas bonitas.”

Então resolvi sair caminhando pela cidade para fazer algumas fotografias da bela arquitetura histórica dessa cidade que faz parte da Estrada Real.

 

 

Partimos de São Luis do Paraitinga em direção a Reserva Guainumbi localizada a 35km da cidade sentido serra do mar, afinal era o nosso destino e o Josiel, guia local e responsável pela pousada já nos aguardava para uma saída a campo pelas trilhas da reserva ainda pela manhã, planos frustrados devido ao atraso por conta da forte neblina que pegamos na descida da serra.

O conogragrama era chegar na pousada na sexta-feira por volta das 8h e fotografar algumas espécies tais como: estrelinha-ametista, orelha-violeta, topetinho-azul, tangarazinho, surucuás, curió e outras encontradas na reserva e no seu entorno. Logo após o almoço saímos para tentar encontrar as espécies e voltamos pra reserva sem fotos nenhuma, o dia estava frio, humido e tomado por neblina. As expectativas ficaram para manhã seguinte, isso se o sol resolvesse acordar cedinho.

No sábado o sol ameaçou sair e espantar a forte neblina, mas foi só um ensaio, o dia continuou fechado e mesmo assim tentamos algumas espécies. O curió resolveu aparecer e mostrar o seu canto enquanto o guia Josiel executava um playback e abaixo a foto do curió (imaturo).

No retorno a pousada me encotnrei com o proprietário João Marcelo e sua esposa Adriana e também com o Gustavo, combinamos então uma corujada ao cair da noite, mas a neblina insistia em atrapalhar os planos de fotografar  e não encontramos as corujas, mas consegui um ótimo registro dentro da Reserva Guainumbi: bacurau-da-telha que até então só tinha registros no entorno. Foto abaixo.

O sol brilhou mesmo no domingo. Enfim a o tempo esquentou com céu claro e clima mais agradável, então resolvemos ir para o Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Sta. Virginia que fica ao lado da pousada para fazer uma trilha de aproximadamente 12km (ida e volta) na tentativa de fotografar algumas espécies. Durante o percurso da trilha que acompanha o rio Paraibuna belas paisagens, muitas subidas, descidas, riachos e nascentes além de algumas espécies que cruzavam o nosso caminho o tempo todo, inclusive o tangarazinho e o tucano-de-bico-verde que não consegui fotografar.

A primeira recompensa veio ainda na trilha, um casal de pica-pau-rei que rendeu boas risadas com os comentários do guia Josiel: “vende essa lente, num foca…”


Continuamos a trilha até o Poço do Pito e nos surpreendemos com a paisagem do lugar. Uma corredeira no rio Paraibuna formando um pequneno salto seguido por um espelho d’aguá repleto de grande pedras. Resolvi então parar e fazer fotos da paisagem, mas como todo fotógrafo de natureza, não me contentava com a foto da margem que estava, e queria atravessar a corredeira para pegar um ângulo diferente, explorando a grande pedra do salto, mas fui impedido pelo Josiel em uma frase enérgica e repetitiva: “aqui você não atravessa, tá louco? Não trouxe corda, nem nada… não, não! Não vai atravessar não, toma um tombo vai parar lá pra baixo…”

Planos frustrados em atravessar a corredeira tive que me contentar em entrar até um ponto estratégico na pequena baía que formava um lindo espelho d’água em meio a grandes pedras com a corredeira ao fundo.

  

  

Após algumas fotos e alguns momentos de contemplação, resolvi sair e explorar a área para mais fotos, subi o salto pela margem direita e derrepente uma grande ave de rapina alça vôo subindo o rio em direção a margem oposta. O Josiel gritando: fotografa, fotografa, é um gavião-pato! Sem reação, só observei e repondi que estava com a lente fish-eye 10.5mm e seria impossível conseguir algum registro da espécie com aquele equipamento, e foi aí que a brincadeira ficou interessante.

O Josiel mais do que de pressa disse: vamos atrás dele!

Então peguei o equipamento correto e partimos pela margem do rio subindo até certo ponto que nos deixava com duas opções: enfrentar a parte mais forte da corredeira ou abrir caminho pela mata fechada na mão!  Ficamos com a opção de enfrentar a mata fechada e subimos mais uns 100 metros, atitude inpensada pelo risco de pisar em uma cobra ou algo do tipo, isso sem falar dos espinhos agarrando, até que achamos uma brecha para a margem do rio e resolvemos continuar pelas pedras.  Não sei qual idéia foi pior: cortar a mata fechada ou andar nas pedras, o previsível aconteceu, ainda bem que foi só um tombo nas pedras e o equipamento fotográfico ficou pra fora d’água, talvez já seja o instinto do fotógrafo levantar o braço com o equipamento na hora de um tombo. Pior seria “o previsível” acontecer na mata fechada, certalmente seria um problema maior (…).

Depois do sacrifício, enfim a foto, de longe, mas serve para duas constatações: não era um gavião-pato, era um gavião-pombo!

Já era perto do meio-dia e tinhamos que voltar para o almoço. Fizemos a trilha de volta pra pousada sem muitas paradas, felizes pelo avistamento do pombo e do pica-pau-rei e ainda na pousada pude ver o belo beija-flor estrelinha-ametista além das diveras espécies que frequentam o local.

Ah claro, já ia me esquecendo!
Um recado para o Josiel: se a intenção dele era não deixar eu “me molhar” (escorregar) quando eu quis atravessar o rio para fazer uma foto da paisagem, teve seus planos frustrados, pois o “banho” (escorregão) foi inevitável quando subia o rio pelas pedras atrás do gavião… (risos).

A reserva Guainumbi.

O melhor local pra se hospedar sem sombra de dúvidas é a Reserva Guainumbi, pousada localizada a 35km do centro de S. L. do Paraitinga no entorno do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Sta. Virginia. Boas acomodações, repecpitividade excelente, comida caseira e farta além de muita natureza, assim defino a Guainumbi onde o visitante pode optar por ficar na sede ou nos chalés, contando sempre com a boa vontade do guia Josiel.

Confira algumas fotos realizadas na Reserva Guainumbi, no seu entorno dentro do parque Estadual da Serra do Mar:

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Abraços e até a próxima.

10 Comments:

  1. Ops.
    Belo Lugar. Belas fotos.
    Preciso conhecer esta cidade.
    Belez Tiago.
    Ptellis

  2. Haydanye Chinelatto

    Agora entendi porque fala tão bem desse lugar… realmente a natureza é encantadora e diante da sua visão e talento… é um privilégio pros que visitam o site!
    Parabéns!

  3. Ehehehe…Ótimas fotos e texto muito engraçado. Você é uma figura, e com o Josiel junto então… Ehehehee

    Grande abraço!

  4. Grande Tiago!!! Show heim…Tenho dois comentários:

    1 – O Gavião-pombo esta parecendo o pequeno que é ameaçado de extinção… O que aumenta o valor da fotografia 🙂

    2 РOnde voc̻ fotografou a saracura? Essa ̩ a saracura-saṇ bicho bem complicado pra fotografar.. sempre embrenhada.

    Grande abraço e mais uma vez parabéns 😉

  5. Belíssima matéria Thiago, eu tbem estive lá dias 09, 10 e 11 de setembro. Mto importante divulgarmos a RG, ela representa mto para a observação, defesa e divulgação de nossas aves livres. Abraço

  6. Meu camarada, lugar belíssimo fotos magníficas!! Prefiro fotos da arquitetura, por isso gostei mais delas, mas as fotos dos pássaros são, como sempre, um show de imagens!! Parabéns e grande abraço.

  7. Tiago, belo passeio/trabalho….lugar lindissimo….a aventura foi melhor ainda heim….Agora sim vc inserio fotos em profusão rsss e uma mas bonita que a outra.

    abraços

    mario

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