TCs: tudo sobre o uso de teleconversores.

Hoje vou falar um pouco sobre teleconversores, ou duplicadores como alguns fotógrafos costumam chamar este acessório.

Teleconversores ou TCs nada mais são que uma pequena estrutura simplificada semelhante a uma objetiva, composto por diversos elementos ópticos. Os TCs autais possuem todos os contatos eletrônicos necessários para a objetiva funcionar corretamente, inclusive fornecendo informações sobre a fotometria, distância focal e o funcionamento do auto-foco para a câmera.

              

O TC sempre fica localizado entre a baioneta da objetiva e a baioneta do corpo da câmera, qualquer outro acessório que seja acoplado na ponta da objetiva (rosca) passa a ser considerado um filtro, ainda que este exerça a função de aproximação assim como os teleconversores.

Num primeiro momento tenho certeza que muitos fotógrafos visitantes aqui do portal ECOFOTO vão pensar: “Então é só eu comprar um TC e aumentar o poder de aproximação da minha objetiva!”  A resposta é óbiva: NÃO!

Teleconversor não é um acessório feito para ser usado com qualquer objetiva, este acessório exige uma série de caracteristícas para ser ou não compatível com a sua objetiva e a forma maissegura de saber com qual objetiva um determinado TC é compatível é acessando o site do fabricante e procurarando pela tabela de compatibilidade, o que nem sempre é fácil de encontrar, por isso deixo aqui algumas dicas básicas que funcionam em 80% dos casos.

Características básicas de compatibilidade com TC:

-  ser uma meia-tele (a partir de 70mm);
– ter uma abertura f2.8 para TCs de 2x ou similar;
– ter uma abertura F4 para TCs de 1,4 ou  similar;
– abertura constante;

O TC altera todas as caracteristícas da objetiva: distância focal, abertura e ampliação. Basta multiplicar tudo pelo fator do TC.

Para não deixar dúvidas vamos entender os motivos que exigem que a objetiva atenda estes critérios para compatibilidade:

1) é preciso ser meia-tele ou maior (70mm ou mais) pra evitar o choque entre os elementos ópticos do TC e da objetiva. Lentes angulares costumam expor o elemento traseiro da objetiva possibilitando o contato entre os elementos.
2) abertura constante f2.8 para TC de 2x e de F4 para TC de 1.4x pois o sensor do auto-foco das câmeras eletrônicas precisam de uma luminosidade miníma de F5.6 (ou mais claro) para realizar o foco. O TC multiplica todas as caracteristícas da objetiva, inclusive a sua abertura deixando ela mais escura, sendo assim f2.8 x 2 = f5.6 e  f4 x 1,4 = f5.6.  Caso a objetiva fique mais escura que 5.6 a velocidade e a precisão do auto-foco ficam prejudicados.
3)  mesmo atendendo as características de compatiblidade nem toda objetiva aceita TC, e nem todo TC é compatível com todas as objetivas, mesmo que num primeiro momento as características sejam compatíveis.
4) algumas objetivas mais escuras que F4 permitem o uso do TC, inclusive os de 2x, porém o foco passa a ser totalmente manual (inviável).

O TC  pode ser uma ferramenta poderosa se utilizado com a objetiva correta, não existe milagre, e como tudo tem suas vantagens e desvantagens. Utilizar o TC com uma objetiva fixa  oferece um resultado muito superior do que se comparado com objetivas zoom, isso por que a construção óptica das objetivas fixas (sem variação da distância focal) é muito mais simples o que gera uma degradação quase impercepítivel, enquanto que manter a qualidade óptica nas objetivas com zoom (variação da distância focal) é muito mais complexo o que acaba gerando perdas maiores.

Abaixo uma fotografia com objetiva fixa 300mm e TC 1,4x (420mm):

Vantagens!
- aumento na distância focal da objetiva;
- baixo custo p/ aumentar a aproximação se comparado ao preço das objetivas com dist. focal maiores;
- versatilidade, principalmente quando usado com objetivas zoom f2.8;

Desvantagens!
- comprometimento na qualidade óptica gerando degradação na imagem final;
- quanto maior a ampliação do TC maior a degradação gerada, principalmente em objetivas zoom;
- diminuição da luminosidade (multiplicar a abertura pelo fator do TC);

Antes de compar um teleconversor considere a real necessidade e se o custo x benefício vale à pena. Na internet existem diversos sites onde é possível encontrar informações sobre a qualidade dos TCs, mas prefira sempre a mesma marca da objetiva que pretende usar com o TC pra evitar problemas no encaixe.

Uso proíbido ou o dano é inevitável!
Nem tente acoplar TC nos seguintes tipos de objetivas zoom 10-xx, 12-xx, 16-xx, 18-xx, 18-xxx (18-105, 18-200…), 24-xx, 24-xxx, 28-xx, 55-xxx, 70-300, 80-400, 100-400, além das fixas 16, 20, 24, 28, 35, 50, 60, 85 e outras. O melhor é sempre consultar o site do fabricante da objetiva e do TC.

Abraços e até a próxima.




10 comentários para “TCs: tudo sobre o uso de teleconversores.

  1. Eduardo disse:

    Muitas dúvidas foram sanadas com essa postagem!! Explicação muito objetiva!!!
    Valew Tiago por mais uma dica!!!

  2. mario disse:

    Tiago essas explicações vieram a calhar. Tenho uma lente Sigma 70-200 f2.8 e um teleconversor também da Sigma de 2x.

    Gostaria de saber mais detalhes sobre como se apresentam esta “degradação”. Tenho observado que aumenta o “granulado” e talvez um pouco a nitidez….Seria isso o que se chama de “degradação”?

    Por outro lado tenho sentido muita dificuldade para focar, fica muito mais lento que quando somente com a lente.

    Para fotografar passaros em voo estou começando a pensar que não vale a pena. Tem como melhorar isso?

    Saudações e parabéns pelo excelente artigo

    Mario

  3. Bom dia Mário.

    A degradação é justamente na perda da definição da imagem, ou seja, nitidez e detalhamento menores do que se comparado com fotos sem o TC. A imagem se torna com um aspecto de plástico, sem textura.

    Já a granulação, deve estar ocorrendo por conta do ISO mais alto pra compensar o escurecimento da objetiva que passa de 2.8 pra 5.6, ou seja, 2 pontos de exposição, se pensarmos em termos de ISO para compensar a exposição, teriamos que aumentar em 2 pontos a sensibilidade, passando de ISO400 para ISO1600 por exemplo.

    Sim, o TC rouba um pouco da agilidade do autofoco, principalmente nas objetivas zoom, é uma boa ferramenta mas tem suas desvantagens e essa é uma delas.

    Para contornar o problema não existe uma solução ou configuração, o jeito é se adaptar a perca de desempenho e prever o movimento do assunto, evitando deixar o foco se perder.

    At.
    Tiago

  4. Cezar Dias disse:

    Bom dia Tiago.
    Parabéns pelo artigo: simples e objetivo.
    Há uma semana adquiri (a duras penas, e sem a patroa saber dos valores) uma Nikon 70-200 2.8 VRII e um TC-E20III 2x. Com a D700 adquirida há 2 meses, sai para uma chácara e lá fiz algumas fotos. Quando fui transporta-las para o note, observei que uma grande parte ficou desfocada, principalmente as de pássaros voando.
    As duvidas que carrego, estão diretamente relacionadas com a focagem. Na D700 tem 3 modos de focagem: continua, simples e manual; Modo de área de AF: de ponto simples, de área dinâmica, e Zona AF automática. Alem disso, não sei exatamente qual modo de exposição escolher: Matricial, Central pontuada ou Localizada. Como da pra ver, não são poucas duvidas e sei que e muito difícil explicar tudo isso por mensagem, mas se vc pudesse me dizer como vc configura esses três elementos ao fotografar aves (voando ou paradas), seria 10.
    Voltando ao assunto do artigo, pra mim foi importante as informações nele contidas, pq comprei o TC sem essas informações mais detalhadas, estranhei, inclusive, o fato da maior abertura ficar em 5.6, não sabia o porque.
    De qualquer forma, PARABÉNS!!!
    Agradecido.
    Abs.

  5. Cézar, bom dia.

    Resalmente são muitas dúvidas.
    O que posso dizer é que o TC é um elemento a mais de interferência, ajuda mas também em alguns casos atrapalha. Ótima combinação: D700 + 70-200 + TC2x.
    Sobre a fotografia de aves, começo dizendo que é pouco!
    Seria necessário uma distância focal maior. Quando eu utilizava corpo FX (full-frame) eu optava por uma objetiva 500mm, porém o peso era muito e então resolvi trocar por uma câmera com sensor APS + 300mm + TC que ficou bem mais leve.
    Já o sistema de foco, depende muito da situação, não existe receita de bolo mas uma dica legal é para você NÃO utilizar o modo de Zona AF Automática, pois ela escolhe qualquer “ponto” pra fazer o foco.
    Abraços.

  6. Rubens disse:

    Olá Tiago,

    Sei que a pergunta é simples e eu creio saber a resposta, mas gostaria de confirmar.

    Uma teleobjetiva 400mm f/2.8 com um TC 2x vai gerar uma imagem inferior à uma teleobjetiva 800mm f/5.6?

  7. Bom dia Rubens, novamente respondendo sua pergunta sobre a imagem de uma objetiva 400mm 2.8 + TC2x ser inferior a 800mm 5.6…

    Se a palavra inferior que citata na pergunta for em relação a qualidade de imagem, nitidez, contratste, certamente o uso do TC2x irá comprometer sim, fazendo a 800mm uma opção melhor, porém mais escura. Quando se usa TCs o ideal é fechar um pouco mais o diafragma para compensar a degradação gerada na imagem, no caso da 400mm 2.8 + TC que resulta nos mesmo 800mm 5.6, teríamos que fechar pra f7.1 pelo menos para compensar e ter a mesma qualidade da objetiva 800mm 5.6

    A vantagem da 400mm f2.8 é claramente a sua luminosidade maior, dois pointos a mais de luz quando usada sem o TC e a versatilidade de possuir uma objetiva 400mm f2.8 e uma objetiva 800 f5.6 (quando com tc2x), sem sombra de dúvida a melhor opção.

    Equipe EF.

  8. Rubens disse:

    Obrigado pelo esclarecimento.

    Abraço

  9. Paulo Souto disse:

    Prezado Amigo.

    Bem, pelo que li não posso colocar um TC na minha lente sigma 18mm/250mm, 72mm, que uso na Sony Alpha 550?

  10. Bom dia Paulo.

    Realmente sobre a sua dúvida, a sua objetiva 18-250 não é compatível com TC’s.

    Pode até existir algum modelo de TC que encaixe, e “funcione”, porém existe o risco de riscar os elementos óticos.

    At.
    Equipe EF

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